Um salto para a independência profissional

“Aprender um novo idioma é um processo que leva tempo. As oportunidades ou as necessidades, entretanto, aparecem sempre de surpresa.”

Essa é a premissa da Lucélia Souza, de 41 anos, que é moradora de Cachoeirinha e há seis anos se dedica exclusivamente ao ensino de idiomas de forma particular e autônoma. A professora possui  experiência no ensino da Língua Inglesa e trabalhou quase três anos no ensino público estadual e em escolas particulares de idioma. No entanto, em determinado momento de sua vida, por não se sentir feliz e valorizada, decidiu embarcar na aventura de empreender.

Um dos maiores desafios que Lucélia precisou enfrentar foi o pessimismo alheio, principalmente, por ser servidora pública do estado. Frases como “tu é louca”, “não acredito que vai abrir mão do plano de saúde” e “talvez tu te arrependa” eram comuns nas conversas  naquele período. Hoje, Lucélia se orgulha por não ter dado importância para o que as pessoas diziam, ela sabia que um dos motivos que a fazia usar o plano de saúde era a insatisfação com sua vida profissional naquele momento. “Eu dizia ‘hoje eu preciso do plano porque eu estou infeliz no meu trabalho, desse jeito de trabalhar’. E mesmo quando eu falei que ia largar [o trabalho de servidora pública] já tendo um novo planejamento, as pessoas questionavam e hoje, graças a Deus, eu estou bem mais satisfeita”, esclarece.

Qualificação e inovação

Hoje, além de lecionar presencialmente em um espaço próprio, Lucélia também oferece aulas através da plataforma Skype que, segundo ela, garante benefícios infinitos. “Eu tenho a possibilidade de trabalhar com o aluno que está ocupado o dia inteiro e que de noite quer estar em casa, sem falar também nos gastos com locomoção que são inexistentes”, afirma a professora. Ela explica que o proposta deste trabalho é a busca de resultados: “Eu quero que meu aluno chegue ao seu objetivo o mais rápido possível”. Neste sentido, em sua ideia de empreendedorismo, ela destaca a adequação ao mercado e a inovação com o uso de novas ferramentas e novos métodos.

Todavia, não foi sempre nesse cenário que Lucélia trabalhou. No início de sua carreira como professora independente, um dos desafios era gerenciar a questão do deslocamento, uma vez que, sem ter um espaço físico próprio na época, ela ia até os alunos. Como ela lembra, havia momentos em que, no mesmo dia, tinha que lecionar em Canoas, Gravataí e Porto Alegre. Em contrapartida, não lhe faltaram clientes. “Clientela mesmo não foi difícil encontrar porque, quando eu trabalhava em escolas, eu atendia os alunos, em paralelo, de forma particular”, completa. Desde este período, sempre focou em sua profissionalização, o que ela destaca como um “grande desafio”, principalmente, de quem é profissional autônomo e deseja melhorar.

Ao se ver infeliz trabalhando de carteira assinada, Lucélia decidiu se tornar professora de idiomas autônoma e hoje é realizada no que faz. Foto: Aponte Jornalismo Independente
Os conselhos práticos de uma empreendedora

Quando questionada sobre quais conselhos teria para uma mulher que deseja empreender, Lucélia destaca que existem diversas fontes de conhecimento. “Livros de negócios, sites, troca de ideias em blogs ou grupos de pessoas que estão buscando empreender. A mulher tem muito potencial e um leque grande independente se ela estudou muito ou não porque é possível trabalhar com muitas coisas”. A professora também ressalta que procurar alternativas para organizar o tempo de quem trabalha em casa é importante. Como completa, muitas vezes, é necessário delegar tarefas e encontrar formas de facilitar o dia a dia tendo como objetivo focar na produtividade.

Como planos futuro, a professora deseja ampliar as parcerias de trabalho. Hoje seu foco é no inglês, no português para estrangeiros e, para o público em geral, e  eventualmente espanhol. Além disso, Lucélia planeja gravar vídeos e implantar a metodologia blending, um método de ensino híbrido entre aulas presenciais e virtuais.

 

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