Precisamos falar (e refletir) sobre a ditadura

Há uma semana, no dia 26, uma triste cena na via que dá acesso da região metropolitana ao centro de Porto Alegre: a placa escrita “Avenida da Legalidade e da Democracia” era substituída pela que continha “Avenida Presidente Castello Branco” (novamente).

Quando vi a notícia, em meio às correrias do dia-a-dia, fiquei espantada. Era algo icônico e simbólico. Um retrocesso e, de certa forma, um ataque a democracia.

Embora a determinação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) de anular a lei que havia alterado o nome da via seja de abril, a cena ocorreu uma semana e meia antes das eleições presidenciais. A avenida voltou a homenagear um presidente da ditadura, que eliminou partidos políticos, cassou deputados e determinou eleições indiretas para governador, indo contra todas as definições de democracia, de um governo feito pelo povo para o povo.

A ditadura militar foi marcada por diversos atos inconstitucionais e por repressão. A liberdade de expressão e de imprensa, tudo aquilo que nós, como comunicadores, acreditamos, era quase inexistente. As táticas de repressão envolviam violência intensa e tortura. O que faz as pessoas, depois de tantos anos e dos conhecimentos que hoje temos sobre essa fase obscura, defenderem esse governo?

Não estou aqui para julgar quem vota no candidato x e y. Estou aqui para pedir que você reflita, pesquise e veja se a pessoa que você irá votar acredita nos mesmos ideais que você, se ela realmente tem capacidade de te representar. O que for a vontade do povo, nessas eleições, será. Só esperamos que não seja a última e que, daqui a quatro anos, a gente possa novamente escolher.

Lais Godinho


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