Parem de nos matar

  • Tatiane Spitzner, advogada, 29 anos. Morre após ser jogada do quarto andar no dia 22 de julho. Mesmo com imagens das agressões, marido da vítima nega.
  • Adriana Castro Rosa Santos, 40 anos. Morta pelo marido que, em seguida, se mata no dia  07 de agosto. Dia em que a Lei Maria da Penha comemora 12 anos.
  • Carla Rodrigues Zandoná, 37 anos, foi encontrada morta após despencar do terceiro andar de um prédio. Marido foi preso com sinais de embriaguez.

Toda vez que leio sobre uma mulher que morre vítima de feminicídio (crime de ódio contra a mulher), penso que não estamos evoluindo como deveríamos. Segundo um levantamento do G1, considerando dados oficiais dos estados relativos a 2017, no Brasil, morrem em média doze mulheres vítimas de homicídio por dia. São 4473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios. Mulheres que morreram simplesmente por serem mulheres.

Precisamos ensinar nossas meninas que elas podem e devem sair de um relacionamento se acharem que ele não está como deveria. Precisamos ensinar nossos meninos que eles não são donos das namoradas. Precisamos, mais do que nunca, parar de perdoar homens porque “ele nunca fez isso antes”. Uma vez basta para cair fora de um relacionamento abusivo.

A taxa de mortes de mulheres cresce cada dia mais e não vemos nada sendo feito para nos proteger além de uma lei que não é totalmente efetiva. Quantas mulheres com medidas protetivas vão continuar sendo queimadas, torturadas, jogadas do quarto andar e mortas para que medidas mais duras sejam tomadas? Precisamos de mais quantas Tatianes?

E não estamos falando sobre mulheres extremamente pobres que necessitam continuar casadas para que os filhos não morram de fome. Estamos falando de mulheres instruídas que sabem como e onde procurar ajuda. Mas não é somente isso. Essas mesmas mulheres também sabem que vão sofrer pressão da sociedade por se separar. Essas mesmas mulheres sabem que talvez não consigam pagar a mensalidade da escola particular. Mas elas não sabem que talvez elas só tenham mais uma chance.

Precisamos fortalecer nossas mulheres, fazer com que se sintam seguras em procurar ajuda e que tenham certeza que estarão protegidas. Não queremos mais perder Adrianas ou Carlas, queremos ser livres para viver. Queremos ficar vivas.

Cristiane Dias da Silva


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