FOTO RICARDO MORAES/Reuters

Na real, a culpa é nossa pelo fogo no museu

No último domingo (02/09/2018), tivemos a perda lastimável de cerca de 20 milhões de peças únicas das áreas de paleontologia, antropologia, história, botânica, entre outras, no incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. Assistimos, perplexos, à queima de um prédio que acabara de completar 200 anos. Desde então, veio à tona um debate social a respeito da forma como tratamos a cultura no Brasil.

Mas tu, no teu dia a dia, o que  consideras essencial para contar a história da cidade, do estado e do país? Nós, moradores da Região Metropolitana de Porto Alegre, temos muitos espaços culturais cheios de histórias para contar. Mas qual é a atenção que temos dado para esses espaços? A tragédia que ocorreu no Museu Nacional estava prevista. Notamos isso em diversas matérias que foram publicadas desde 2015 relatando a má conservação do local.

É imensamente triste ver a sociedade olhando para o museu somente em um momento de  fragilidade. É preciso notar, visitar, ocupar e entender esses espaços em seus momentos de vida. É como quando uma pessoa muito querida morre. Não seria mais interessante valorizar, proteger e aproveitar enquanto ela está viva? Necessitamos, para ontem, aprender a valorizar toda a cultura que temos. Principalmente em tempos difíceis. Atualmente, as instituições culturais e educacionais estão recebendo cada vez menos investimentos. Se ninguém demonstrar que se importa, a tendência é piorar. Precisamos evidenciar a importância desses espaços na formação da sociedade.

Certamente, devido ao ocorrido no Rio de Janeiro, governantes de diversos estados farão  promessas no calor da emoção. É dever da sociedade cobrar! Infelizmente, é preciso admitir, caro leitor, que a culpa pelo fogo no museu é nossa. Nós escolhemos nossos representantes para decidirem as melhores formas de administrar o dinheiro público, e o incêndio foi o estopim de uma série de erros. No entanto, como já diziam os antigos, “não se pode chorar pelo leite derramado”. A questão que deve nortear essa discussão daqui para frente é: como evitar que tragédias semelhantes continuem a acontecer? Que essa tragédia seja a motivação para que possamos nos mobilizar e exigir o respeito e a valorização que o patrimônio histórico brasileiro merece.

Kênia Fialho


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