Na mira

“É um esporte que parece que não tem graça nenhuma, mas depois que a gente pega um arco e atira algumas vezes, ele fica emocionante”, conta um dos fundadores e atual presidente da Associação Arthemis – Tiro com Arco, Ademar Lagranha.

A entidade foi fundada em 29 de janeiro de 2015 e sedia seu centro de treinamento no complexo esportivo do Colégio Agrícola Estadual Daniel de Oliveira Paiva (CADOP). A ideia do seu trabalho, porém já vem de um projeto anterior: o técnico Cristiano Vaz Zarichta ensinava o Grupo Escoteiro Guajará Mirim 18/RS, de Cachoeirinha, a atirar com arco. Foi de uma parceria entre ele, a Federação Gaúcha de Arco e Flecha (FeGAF) e o gabinete do ex-vice-prefeito Gilso Nunes que surgiu o projeto social Alvo no Futuro em 12 de outubro de 2013. Essa iniciativa voluntária está voltada a ensinar gratuitamente o tiro com arco para jovens de 10 a 14 anos. “Esse projeto começou a dar certo, as crianças começaram a se desenvolver e dava para ver que tinham futuro no esporte”, completa Ademar. Com a troca de prefeito e a falta de apoio, surgiu a Arthemis para ajudar os iniciantes a se profissionalizar e para que o grupo pudesse participar de campeonatos, visto que o competidor tem que estar filiado a algum clube ou associação, como explica o presidente.
Mantida como uma entidade sem fins lucrativos, a Associação realiza jantares, vende rifas e pede contribuições no trânsito (o “pedágio”). Além disso, conta com uma taxa mensal de R$40, que só é paga pelos adultos praticantes, e com alguns patrocinadores – normalmente estabelecimentos de pais ou amigos dos esportistas.
Na Arthemis, há a predominância de crianças e adolescentes praticando o esporte. A Seleção de Base tem oito participantes, que foram “garimpados” através do Alvo no Futuro. De acordo com o site desse projeto, a escolha dos arqueiros leva em conta o seu desenvolvimento técnico e comportamental, o seu comprometimento, a sua frequência nos treinos e o rendimento escolar. Como explica Ademar, atualmente é a Arthemis que mantém a iniciativa para os atletas, que ficam nesse nível em torno de seis meses até passarem para a Base. Os escolhidos estão em treinamento profissional com foco em campeonatos de nível nacional e visando os internacionais.

Campeão Sul-Brasileiro em 2017 na categoria adulto open (distância de 70 metros), Alério Morais (16 anos) é um dos jovens que iniciaram no esporte através do Alvo no Futuro. Ele conta, porém, que sua vontade vem de antes e que teve muito apoio. “Eu conheci [o projeto] mais na escola, onde o Cris [o técnico] estava com um estande de arco, me apaixonei”, comenta. Segundo ele, a experiência do Campeonato Sul-Brasileiro foi “muito boa”. “Foi um dos meus primeiros campeonatos de alto nível e era adulto”, afirma Alério, que tinha 14 anos e era o mais jovem entre os competidores daquela categoria. Ele destaca que, além do pensamento ter se desenvolvido com a ajuda do esporte, sua saúde também melhorou. Apesar de ter que arcar com alguns gastos para se manter praticando, o jovem declara: “Eu me sinto feliz, me sinto em família, é muito gostoso ficar aqui”.

Além das competições estaduais e regionais, a equipe da Arthemis já participou de campeonatos brasileiros. Em 2016, os arqueiros foram a Campinas (SP) no Campeonato Brasileiro de Base e trouxeram medalha de ouro e de prata na equipe infantil masculina, de bronze no individual masculino infantil e na equipe cadete masculina e medalha de ouro e de bronze na equipe mista infantil. No ano seguinte, o grupo foi a Maricá (RJ) para o Campeonato Brasileiro de Base e também conquistou medalhas: ouro e prata no individual masculino infantil, bronze no individual feminino infantil e ouro na equipe masculina infantil e na equipe mista infantil. No primeiro evento, houveram gastos com a inscrição, que incluía o alojamento e as refeições por sete dias, mais o translado entre os aeroportos e o local da competição e as passagens. Já no segundo, os custos referiam-se ao transporte e à locação de uma estadia. “Os atletas, nesses dois eventos, só pagaram as passagens, o restante a Arthemis bancou com os pedágios, com um jantar, com alguma rifa que a gente fez”, esclarece Ademar.

A equipe atual está se preparando para o 11º Campeonato Brasileiro Infantil, Cadete e Juvenil 2018, que ocorrerá em Belo Horizonte (MG) do dia 3 ao 7 de julho. Os competidores contam com o apoio de sócios da Arthemis e com a verba que arrecadarão no Jantar Baile dos Arqueiros no dia 9 de junho às 20h no Salão Ponte Nova. “[Nesse campeonato] Queremos mandar em torno de 13 pessoas: 8 atletas, mais o técnico e a comissão”, afirma Ademar.

Conforme explica Ademar, a Arthemis junto ao Alvo no Futuro busca chegar a crianças de diferentes classes sociais para trabalhar o fortalecimento de vínculos e encontrar futuros atletas.

De acordo com o Ranking Outdoor de 2017 da FeGAF, a Arthemis lidera o nível feminino e masculino infantil e cadete, nesse último competindo contra a Associação Tiro com Arco RS (TARS). No Ranking do Outdoor de 2017 da Confederação Brasileira de Tiro com Arco, a Arthemis varia sua posição. “Temos um resultado muito bom, nós estamos conhecidos nacionalmente hoje, pode se dizer assim, devido ao desempenho da gurizada, seu esforço. Nós procuramos dar sempre o máximo possível de condições para eles”, declara o presidente.

Para quem deseja fazer uma aula experimental, a Arthemis está aberta a partir das 9h aos sábados. Ademar, que teve os primeiros aprendizados em arco e flecha com os indígenas quando era criança e morava em Nonoai, conta: “Concentração, disciplina, companheirismo, toda essa parte social o arco e flecha também desenvolve”.