Mais de 500 anos depois

Em uma madrugada de 1914, a Alemanha declarou guerra à Rússia. Após dois dias, fez o mesmo com a França. Na madrugada seguinte, tropas alemãs invadiram a Bélgica para surpreender os franceses com um ataque vindo de uma direção inesperada. Na noite desse mesmo dia, o governo britânico declarou guerra à Alemanha. A partir daí, a Primeira Guerra Mundial desenrolou-se.

Vinte anos depois, em 1934, após a morte do então presidente da Alemanha, Paul von Hindenburg, um plebiscito foi realizado e Hitler obteve a maioria dos votos. Ele se tornou o novo comandante do país. O ponto final dessa história ocorreu com os ataques com bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki em 1945.

Mas o que esses acontecimentos têm em comum?

Todos foram em agosto. E, sim, começamos hoje mais um agosto, sujeito da rima “agosto é o mês do desgosto”. Essa fama não é de agora.

Os romanos deram ao oitavo mês do ano o nome de “agosto” em homenagem ao Imperador César Augusto por volta de 8 d.C. O objetivo era honrar a reforma na estrutura de governo do Império Romano e a conquista de novos territórios. Para a época, não me parece um azar. Mas então qual o motivo de tanto desgosto?

A verdade é que não há registro capaz de comprovar o porquê da rima. No entanto, passando por alguns sites de curiosidades e entretenimento, conseguimos encontrar uma explicação convincente, mas muito baseada em crendices populares. Como afirmam, a expressão original seria “casar em agosto traz desgosto”, relacionada à época das navegações, uma vez que as caravelas costumavam partir para o “novo mundo” neste mês. Portanto, além de os recém-casados não poderem aproveitar o início de seu casamento, havia a chance de as esposas tornarem-se viúvas logo no começo dessa nova vida. Por ser muito comum em Portugal, a crença logo se espalhou pelo Brasil.

Mais de 500 anos depois desse fato, ainda ouvimos a avó, o avô, o tio ou a tia comentando que agosto é tempo de azar e de doença. Mas será?

Crendices populares são águas passadas que não passam. Costumes que ficam e fixam-se na terra, juntando explicações lógicas com fenômenos sobrenaturais. No entanto, ainda assim, os responsáveis por fazer a escolha da forma como iremos encarar a vida somos nós. Em carne e osso. De pé no chão, de pé na terra.

Essa moeda tem dois lados. No dia 22 de agosto de 2010, os 33 trabalhadores presos em uma mina no Chile foram localizados com vida. Eles serviram de exemplo para o resgate dos 12 meninos e do técnico presos na caverna da Tailândia. Portanto, não esqueça: nem só de lágrimas agosto é feito.

Isadora S. Garcia


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