Entre idas e vindas, o meu salão de beleza

“Eu venho de uma família de mulheres que sempre trabalharam”, conta Geni Kovaleski, mulher que, aos 47 anos, relembra quando começou a se envolver com estética e cabelos até o momento em que montou o próprio salão de beleza, Studio Bella, em 2010.

Geni trabalha desde os 14 anos. Depois de terminar o ensino médio, ela passou um tempo  trabalhando na lancheria de seus pais até que foi convidada por uma cliente do local para fazer um curso técnico de cabeleireira no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). “Acabou que eu passei na avaliação psicológica para fazer o curso e a moça que me incentivou não”, relembra do fato curioso.

Assim que concluiu a formação, Geni passou a trabalhar na área em alguns salões por Porto Alegre. “Nessa época eu tinha 22 anos e a jornada de trabalho em salão de beleza muitas vezes vai até tarde”, conta a cabeleireira, que acabou se afastando do ramo e indo trabalhar em outros setores. Nesta mesma época, conheceu o ex-marido e, ao fazerem planos para viverem juntos, a jornada de trabalho em salão de beleza não parecia se encaixar.

Depois de casada e mãe de uma menina, Geni seguiu trabalhando em setores administrativos, mas continuava fazendo cabelo de amigas e parentes esporadicamente.  Em 2006, ao ficar desempregada, foi indicada por uma amiga para trabalhar em um salão. Após um tempo afastada da prática, Geni ficou desacreditada. “Como que, depois de 12 anos fora do mercado, eu iria voltar a trabalhar em salão?” Mesmo insegura, ela aceitou o desafio e trabalhou por um ano em um salão em Gravataí. No entanto, a necessidade de atender a filha, que ainda era pequena, falou mais alto, e, mais uma vez, Geni se afastou da profissão que mais gostava. Voltando a trabalhar em escritório, ela não estava realizada. “O meu salário era muito menor do que eu recebia trabalhando com cabelo.” Surgiu então a ideia de fazer cabelos por conta, divulgando na empresa onde trabalhava e indo à casa das clientes.

Geni, à esquerda e Elaine, à direita, celebram a parceria e a amizade que surgiu através do Studio Bella. Créditos: acervo pessoal

O negócio: mais que independência

Por causa das demandas, Geni acabou montando um pequeno salão dentro de sua casa. A jornada era dupla. “Trabalhava de dia na empresa e ia até meia-noite trabalhando no meu salão”, relata. Até que chegou a hora da escolha e a empreendedora preferiu ficar com aquilo que sempre gostou de trabalhar: a beleza. No dia 12 de junho de 2010, então, nasceu o Studio Bella, em uma das salas do edifício Madrid. Um dos desafios de quem abre um negócio é conquistar clientes, mas a empresária não passou por isso, pois já tinha pessoas que conheciam e confiavam no seu trabalho.

Mas não foi só lucro financeiro que o Studio Bella rendeu à Geni. Em 2013, uma amiga comentou com Elaine Favero, de 39 anos, que um salão estava procurando manicure. Elaine fazia unhas e estava em um período de depressão. Com o sedentarismo de ficar em casa por causa da filha pequena, ela estava cansada dessa rotina e trabalhar um período do dia era o que procurava. Deixou a filha em uma escolinha e passou a trabalhar com Geni no Studio Bella, onde está há cinco anos. A relação das duas foi além do compromisso entre patroa e funcionária: da parceria que deu certo profissionalmente surgiu uma forte amizade. “Quando a amizade passa dos cinco anos é porque vai durar a vida toda”, comenta Elaine. A confiança e o entrosamento reflete na qualidade do serviço e no funcionamento do salão. “Faz total diferença porque ela é uma pessoa de extrema confiança, posso deixar o salão aos cuidados dela sem nenhuma preocupação”, revela Geni.

O Studio Bella hoje tem oito anos de existência e é a realização pessoal de Geni, que nunca pensou em desistir do seu negócio. “Minha qualidade de vida é melhor, eu durmo melhor”, declara a empresária, que também destaca a liberdade que o seu trabalho lhe dá para conciliar a vida pessoal. Recentemente, a mãe de Geni foi diagnosticada com o mal de Alzheimer, doença degenerativa que compromete a memória e o raciocínio, precisando de cuidados. Sendo dona do próprio negócio, Geni consegue fazer uma carga horária ao seu favor, podendo estar ao lado da mãe neste momento delicado.

Geni acredita que o sucesso de um negócio depende de levar seu trabalho com seriedade. “Trabalho com os melhores produtos e mantenho contato com a responsável técnica da empresa fornecedora, qualquer dúvida que eu tenho eu posso perguntar.” Feliz, a cabeleireira aconselha que outras mulheres também busquem sua independência. “A realização pessoal e financeira é incomparável para mim, ainda mais fazendo o que eu gosto de fazer.”