Desabafo

Nos dias atuais, não há meio termo. Ou somos de direita ou de esquerda, feministas ou machistas, a favor da TV aberta ou totalmente contra. Definitivamente, para a opinião pública, os extremos são obrigatórios.

Digo-lhes que não gosto de extremistas. Sou católica e sou a favor do aborto e, antes que vocês, queridos leitores, queiram me matar, vou explicar.

Temos grupos pró-vida que gritam aos quatro ventos que, se a mulher pode fazer sexo sem proteção, também pode criar uma vida pela qual é responsável. Temos outros grupos que afirmam que a mulher não é obrigada a criar uma criança sem condições financeiras/psicológicas. A Igreja Católica diz que o feto é uma criatura de Deus e que também sofre e merece respeito. A ciência diz que o feto até a décima segunda semana de gestação não sente dor e pode ser abortado.

Ninguém quer saber o que a mãe acha.

Mas, infelizmente, o aborto tem cor e renda. No Nordeste, por exemplo, o índice de mulheres sem instrução que realizaram abortos é sete vezes maior que o número de mulheres com curso superior. Entre as mulheres negras, o índice de abortos realizados é o dobro do verificado entre mulheres brancas.

No Brasil, essa prática já é liberada. Mas mulheres que têm dinheiro saem vivas, enquanto mulheres sem dinheiro abortam em clínicas clandestinas e morrem depois de sangrar por dias.

Não seria mais fácil existir, de fato, a liberação do aborto e, mais do que isso, existir uma rede de apoio que receba essas mulheres, que as ouça e lhes dê opções. Que seja levar adiante essa gestação e que oferte programas para mães solteiras, que ensine a cuidar, que proteja mãe e filho. E se, por acaso, essa mãe não quiser ficar com a criança, que esse programa incentive a adoção. Ela precisa de orientação, de um caminho. O maior motivo que leva mulheres pobres ao aborto é a falta de um pai ou de uma família que mostre como sair do buraco.

Por que não salvar a mãe e o bebê? Por qual motivo precisamos escolher um lado?

Salvemos pretas e brancas, ricas e pobres, bebês e mulheres. Salvemos a família! Seja ela feita de pai, mãe e filho ou só mãe e filho. Simplesmente salvemos. É isso que diz a religião que rege meu coração.

Cristiane Dias da Silva


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