A inversão do ônus da prova

Vejamos a consequência de se acreditar em QUALQUER MITO que se EXIMA de prova: sacrifício humano, sacrifício animal, infanticídio, genocídio, dízimo, inquisição, tortura, moralismo, hipocrisia, idolatria, subserviência, corrupção, machismo, racismo, xenofobia, abuso infantil, escravidão, dogmatismo…

A que mito estou me referindo? Escolha: O IIIº Reich, a Quimbanda, o Islamismo, a Ku Klux Klan, o paganismo, o cristianismo, o satanismo, o catolicismo, o judaísmo, o pentecostalismo, o neopentecostalismo, o espiritismo, o stalinismo, a monarquia, o liberalismo, o neoliberalismo, o imperialismo, os illuminatis, os rosacruzes, os maçons, pokémons, thundercats…

À exceção óbvia dos dois últimos citados, os mitos ou doutrinas relacionados são exemplos sérios em que se deve levar em conta o detalhe da isenção da prova ou da transferência do ônus da prova para os outros.

Quem quer ser levado a sério e ter credibilidade, tem a obrigação de provar-se sério e digno de crença. Nenhum deus ou deusa foi capaz de tal façanha. E bem poucas pessoas também a realizaram.

Em toda crença, existem só dois tipos de pessoas:
1) Os CRÉDULOS, que se caracterizam por acreditarem e seguirem, sem nenhum questionamento, dogmas impostos por uma casta de autoproclamados arautos de alguma verdade ou divindade.
2) LÍDERES que se autoproclamam arautos divinos e que exercem domínio filosófico incondicional sobre os crédulos e deles fazem uso e extraem tudo que lhes convém.

Quando uma doutrina se exime da prova, ela deixa claro não ter interesse na verdade e abre espaço para a corrupção e deturpação dos valores que alega defender.

A quem se exime da prova falta tanto ética quanto coragem e, provavelmente, também a verdade.

Então não tema e nos prove a existência de Deus. Aguardo pacientemente.

Nas lista das “consequências em se acreditar em mitos que se eximam de prova”, acabei esquecendo uma das mais óbvias que é a homofobia. Curioso notar como os líderes religiosos dizem que “não odeiam os homossexuais, mas sim o pecado da homossexualidade”. Mesmo assim incitam em discursos contundentes a seus fiéis um asco social em relação àquelas pessoas que eles dizem não odiar. Mesmo assim, desejam negar direitos civis primários como o de formar uma família ou o de viver o amor que lhes é possível da forma mais plena que podem. Continuam a dizer que não os odeiam. Querem ter o direito de negar trabalho a um homossexual por não concordarem com sua identidade sexual. Mas não os odeiam. Sem odiá-los e até mesmo dizendo que os amam, estes líderes religiosos incitam seus rebanhos a mobilizarem-se politicamente pra prejudicar os homossexuais. O que fariam então se os odiassem?

O “ato moral” que rezam proceder se baseia na crença em uma divindade, em escritos antigos considerados sagrados, mas principalmente na interpretação dada por AUTOPROCLAMADOS arautos dessa verdade divina. Nada disso se confirma em prova clara, concreta e objetiva. No entanto, se pretende impor a toda uma sociedade desrespeitando os princípios humanos de diversidade, democracia e liberdade.

Como é mesquinho, pouco inteligente, perigoso e mesmo criminoso crer cegamente em mitos que se eximem de prova!

Luciano Reis


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