A história de mulheres extraordinárias

Marli de Almeida, Dandara de Almeida e Carla Ferreira são três mulheres que transformaram seus sonhos em realidade através da costura. O amor pela prática começou com Marli há 35 anos. A opção de trabalhar em casa, fazendo seus horários e acompanhando de perto o crescimento do filhos foi prioridade para ela, a matriarca. Os filhos Dandara e Jonathan de Almeida cresceram e, há seis anos, passaram a auxiliar a mãe na loja, que funcionava em conjunto com o ateliê. De lá pra cá muita coisa mudou: a marca se reposicionou comercialmente, a loja deixou de existir e Carla tornou-se sócia e integrante da equipe. O momento de transição foi essencial para o sucesso atual do ateliê. Entender qual era o público-alvo do empreendimento e quais as suas reais necessidades demorou dois anos. “No tempo, com a loja e o ateliê, percebemos que nossas clientes procuravam o diferente, o que ficava certo no corpo, tínhamos peça pronta mas elas sempre queriam a peça personalizada, com a manga diferente, com a cor diferente. No fim, o que seria melhor pra nós e para as clientes seria o modelo sob medida e sob encomenda”, afirma Dandara.

Hoje, o ateliê Madre & Co atende cerca de 350 clientes por mês. Dandara, que anteriormente cursava Engenharia Ambiental, iniciou sua experiência como empreendedora quando começou a trabalhar na loja da família. Mas, com o tempo, ela percebeu que gostava mesmo era do que a mãe fazia. Largou a Engenharia e começou a cursar Moda, profissão em que hoje é formada. Na faculdade, teve a oportunidade de aprender muitos conceitos teóricos e essenciais para a profissão, mas confessa que a prática foi adquirida no ateliê.

Os desafios

O reposicionamento ocorreu em um momento caótico no âmbito econômico. A decisão de fechar a loja e se dedicar somente ao ateliê ocorreu durante a crise. Logo, a questão financeira foi um fator determinante para as empreendedoras. Com a loja, a quantidade de cliente inadimplentes era alta, porque não era um negócio totalmente estruturado. “Redução do número de inadimplência foi uma das pautas das nossas reuniões de estruturação”, explica Carla. Mas foi a escolha por manter apenas o ateliê sob encomenda que possibilitou uma estabilidade financeira para o empreendimento. Como não precisariam mais administrar estoque de produtos parados e a venda “na confiança” para pagar posteriormente, foi possível organizar a parte financeira. “A loja não se sustentava, porque competíamos com vários tipos de loja e, no ateliê, descobrimos um diferencial. Produzimos a peça com a essência da cliente, ela escolhe o tecido, a cor, faz a prova, ela acompanha o desenvolvimento da peça”, confessa orgulhosa Dandara.

Os diferenciais

O atendimento personalizado é considerado um dos diferenciais pelas empreendedoras. A cliente tem a oportunidade de participar de todas as etapas da sua aquisição, recebendo dicas que valorizam seu biotipo, e podem ter o acompanhamento de Dandara no momento de escolher o tecido e sugerir qualquer mudança que considere pertinente. “Nossa vontade é suprir totalmente o desejo das nossas clientes”, destaca Marli.

Além disso, as empreendedoras perceberam que possuíam uma pessoa com mais de trinta anos de experiência e isso poderia ser aproveitado de uma boa forma. Se especializaram e resolveram arriscar na produção de trajes festivos, como vestidos e ternos. E a procura surpreendeu a todas. Logo que perceberam essa oportunidade, passaram a investir em marketing e na especialização. “Fomos agregando produtos e serviços em torno da venda do vestido, fomos agregando valor”, contam as empreendedoras.

Vale a pena sonhar?

Quando questionadas sobre qual conselho gostariam de dar para as mulheres que assim como elas desejam empreender, a resposta foi unânime: “Nosso conselho é fazer o que ama e acreditar que é capaz. Aprendemos dia após dia, é isso o que realmente nos move”, ressaltam.

“Nosso conselho é fazer o que ama, e acreditar que é capaz. Aprendemos dia após dia, é isso o que realmente nos move.”

Logo esse amor pela costura que começou com Marli poderá ser aprendido por mais mulheres. As empreendedoras pretendem oferecer cursos sobre costura para mulheres que admiram essa prática. “É gratificante passar nosso conhecimento, mostrar que todas somos capazes, incentivar mulheres a descobrirem seus potenciais”, afirma Carla. Segundo elas, o que mais desejam atualmente é crescer levando outras mulheres junto e enxergar no olhar de cada uma o amor pelo o que fazem.

Segundo Marli, a paixão pela costura só aumenta. “Às vezes tu pega uma coisa para fazer e a ideia não flui na hora, mas tu dá um tempo e, de repente, a ideia vem. Tu passa a não viver sem isso. É muito bom. Quem gosta da costura tem que ir atrás disso. O sol nasceu para todos, não é porque eu sei que eu não vou ensinar. Muito pelo contrário, quero mostrar que todas têm capacidade”, confessa Marli.